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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Inversão do fluxo migratório

A partir do fim dos anos 80, ocorreu uma inversão do fluxo migratório entre o Brasil e Japão. Os nipo-descendentes e seus cônjuges, com ou sem ascendência japonesa, e seus filhos mestiços ou não, passaram a emigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho. Estes emigrantes brasileiros são conhecidos como dekasseguis (出稼ぎ), embora a palavra no Japão inclua todos trabalhadores migrantes, até mesmo, japoneses de áreas rurais que vão trabalhar nos grandes centros urbanos.
Vivem no Japão mais de 300.000 brasileiros em condições legais, a grande maioria trabalhando como operários na indústria. As cidades com mais brasileiros são: Hamamatsu, Aichi, Shizuoka, Kanagawa, Saitama e Gunma.
A comunidade brasileira no Japão por sua vez, é a terceira maior comunidade de trabalhadores estrangeiros residentes no Japão.

Influência da imigração japonesa no Brasil

Os imigrantes japoneses aperfeiçoaram as técnicas agrícolas e de pesca dos brasileiros. É notável o seu trabalho na aclimatação ou desenvolvimento de vários tipos de frutas e vegetais antes desconhecidos no Brasil, no total trouxeram mais de 50 tipos de alimentos, entre os quais o caqui, a maçã fuji, mexerica poncã e o morango. Além dos alimentos trazidos pelos imigrantes japoneses no Brasil destaca-se também a grande expanção da avicultura brasileira que só cresceu de vez quando foram trazidas aves-matrizes do Japão e com a experiência dos imigrantes japoneses nas granjas.
A diáspora japonesa forneceu uma porta de entrada para a influência cultural japonesa no Brasil que se destaca na tecnologia agrícola, culinária, esportes (judô, aikidô, jiu-jitsu, caratê, kendo, sumo, gateball e apesar de o beisebol já ser práticado antes da chegada dos imigrantes japoneses foi através desses imigrantes que se deve o desenvolvimento do beisebol no Brasil, mangás, seriados de televisão (como os animes) e outros aspectos.
O bairro paulistano da Liberdade representa um pedaço do Japão com vários pórticos vermelhos de templos xintoístas. Restaurantes (de yakisoba, sushi, sashimi e diversos pratos da culinária típica) competem com os karaokês e supermercados nos quais se pode comprar o natô, vários tipos de molho de soja e outros tantos produtos.
Até mesmo o drinque brasileiro mais famoso, a caipirinha, ganhou uma versão japonesa com saquê: a sakerinha.

Religião


Os imigrantes japoneses eram na sua maioria budistas e xintoístas. Nas colônias japonesas houve a forte presença de padres brasileiros para catequizar os imigrantes. O casamento com pessoas católicas também contribuiu para o crescimento dessa religião na comunidade nipo-brasileira. Cerca de 60% dos descendentes de japoneses no Brasil são católicos.

Demografia

Nikkei (日系) é uma denominação em língua japonesa para os descendentes de japoneses nascidos fora do Japão ou para japoneses que vivem regularmente no exterior.
Há no Brasil 1,5 milhão de nipo-brasileiros dos quais cerca de 80% dos nipo-brasileiros vive no estado de São Paulo. A cidade São Paulo concentra a maioria dos nipo-brasileiros - 326 mil segundo o censo de 1988. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, foi o bairro japonês da cidade, embora hoje só mantenha o comércio e restaurantes característicos.
Os municípios paulistas com maior população de nipo-brasileiros são Mogi das Cruzes, Osvaldo Cruz e Bastos.
Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são o Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará.
No Paraná, a maioria dos nipo-brasileiros vive na capital Curitiba e na região norte do estado, nos municípios de Maringá, Assaí e Londrina.
Em Minas Gerais, a maioria dos nipo-brasileiros vive na capital Belo Horizonte e nas cidades do sul do estado.
Em termos relativos, os municípios de Assaí no Paraná e de Bastos em São Paulo são os que possuem maior concentração de nipo-brasileiros, que são, respectivamente, 15% e 11,4% de seus habitantes.
Apesar da origem agrícola da maior parte dos imigrantes japoneses, atualmente cerca de 90% da comunidade nipo-brasileira vive nas cidades.

Miscigenação

Em relação a outros grupos de imigrantes, a miscigenação dos nipo-brasileiros levou tempo maior para acontecer. O casamento com pessoas de origem não-japonesa (gaikokujin) não era aceito pela maioria dos imigrantes japoneses (Issei) devido às grandes diferenças étnico-culturais: idioma, religião, costumes, tradições. Outra razão era que eles não queriam criar laços no Brasil, podendo assim retornar para o Japão. Os imigrantes japoneses raramente se casaram com um não-japonês, porém, seus descendentes, a partir das segunda e terceira gerações, começaram cada vez mais a se casar com pessoas de origem não-japonesa.
Os descendentes de imigrantes japoneses - cuja maior parte é a terceira geração no Brasil - integraram-se definitivamente à sociedade brasileira. Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são totalmente integrados ao Brasil e 61% são mestiços.

Pós-guerra


Surgiu a Shindo Renmei, uma organização terrorista formada por nipo-brasileiros que assassinava os nipo-brasileiros que acreditavam na derrota japonesa. Os assassinatos cometidos pela Shindo Renmei e o sentimento antinipônico da época causaram vários conflitos violentos entre brasileiros e nipo-brasileiros.
Na década de 1960, ocorreu um grande êxodo rural que levou a maior parte da comunidade nipo-brasileira do campo para as cidades. A cidade de São Paulo tornou-se, assim, a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.
No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar principalmente em setores relacionados com a agricultura como feirantes ou donos de pequenos armazéns de frutas, legumes ou peixes. Os mais jovens se dedicaram aos estudos e formaram-se em grande quantidade nas Universidades, especialmente nas áreas biológicas e de exatas.

Segunda Guerra Mundial


A segunda geração de japoneses no Brasil desistiu, definitivamente, de retornar ao Japão, principalmente quando a eclosão da Segunda Guerra Mundial tornou impossível sair do Brasil.
A comunidade nipo-brasileira foi duramente atingida por medidas restritivas quando o Brasil declarou guerra ao Japão em agosto de 1942.
Nipo-brasileiros não podiam viajar pelo território nacional sem salvo-conduto expedido por autoridade policial; mais de 200 escolas da comunidade japonesa foram fechadas; os aparelhos de rádio foram apreendidos para que não se ouvissem transmissões em ondas curtas do Japão.
Os bens das empresas japonesas foram confiscados e várias empresas de nipo-brasileiros sofreram intervenções, entre as quais o recém-fundado Banco América do Sul).
Os nipo-brasileiros foram proibidos de dirigir veículos automotores, mesmo se fossem táxis, ônibus ou caminhões de sua propriedade. Os motoristas contratados pelos nipo-brasileiros tinham que ter uma autorização da polícia.
O medo de contatos entre imigrantes e submarinos inimigos exacerbou-se, no dia 10 de julho de 1943, cerca de 10 mil imigrantes japoneses e alemães que residiam em Santos foram obrigados, em 24 horas, a fechar suas casas e negócios e a se mudar para longe do litoral brasileiro.
Nunca foi confirmada qualquer suspeita de atividades de nipo-brasileiros contra a "segurança nacional".

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O nacionalismo da Era Vargas

A ditadura do Estado Novo implantado por Getúlio Vargas em 1938 procurou ressaltar o nacionalismo brasileiro através da repressão à cultura de imigrantes que formavam comunidades fechadas como os japoneses e alemães.
O decreto nº 383 de 18 de abril de 1938 determinou várias proibições aos estrangeiros:não poderiam participar de atividades políticas, formar qualquer tipo de associação, falar línguas estrangeiras em público ou usá-las como língua de alfabetização de crianças.
A transmissão de programas de rádio em línguas estrangeiras foi proibida. As publicações impressas (jornais, revistas, livros) em língua estrangeira também foram proibidas, a não ser que fossem bilíngüe, japonês-português, por exemplo. Como a publicação bilíngüe era muito cara, jornais e revistas deixaram de circular. Em 1939, uma pesquisa da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de São Paulo, mostrou que 87,7% dos nipo-brasileiros assinavam jornais em idioma japonês, um índice altíssimo para qualquer língua e qualquer época no Brasil. O decreto nº 383 de 1938 praticamente acabou com a disseminação de informações na comunidade japonesa, pois boa parte desta sequer compreendia o idioma português.
A partir de então, a entrada de imigrantes japoneses ficou cada vez mais difícil. O ministro da Justiça Francisco Campos, em 1941, defendeu a proibição do ingresso de 400 imigrantes japoneses em São Paulo.

Dificuldade em se adaptar









Os imigrantes japoneses tiveram muita dificuldade em se adaptar ao Brasil. Idioma, hábitos alimentares, modo de vida e diferenças climáticas acarretaram um forte choque cultural.
A maior parte dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão após poucos anos. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o idioma português.
O enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho impossível. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo e o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado no armazém do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam enormes. Entretanto, através de um sistema de parceria com fazendeiros locais, muitos japoneses conseguiram economizar e comprar seus primeiros pedaços de terra. A primeira compra de terra por japoneses no interior de São Paulo ocorreu somente em 1911. Com a ascensão social e a vinda de parentes, a maioria dos imigrantes japoneses decidiu-se pela permanência definitiva no Brasil. Outro fator que facilitou a permanência definitiva no Brasil foi que os contratos de imigração eram feitos com famílias. Japoneses solteiros não podiam imigrar sozinhos, como foi permitido com outras etnias. O padrão comum foi a imigração de famílias de japoneses com filhos pequenos ou de casais recém-casados.
A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante a de seus pais imigrantes. Ainda pensando em regressar, os imigrantes educavam seus filhos em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de imigrantes japoneses falavam apenas o idioma japonês em casa. Muitos brasileiros de origem japonesa em zonas rurais ainda possuem dificuldades em falar o idioma português.
A partir de 1912, grupos de japoneses passaram a residir na ladeira Conde de Sarzedas em São Paulo. O local era próximo do centro da cidade e alugar cômodos ou porões de sobrados era o melhor que os pobres imigrantes podiam pagar. Na década de 1920, a rua Conde de Sarzedas já era conhecida como o local preferido de residência dos japoneses que deixavam o campo. Com o crescimento da comunidade, o entorno do bairro da Liberdade tornou-se então um bairro japonês com lojas e restaurantes típicos.

Kasato Maru

O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial como o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses. A viagem de 52 dias começou no porto de Kobe e terminou no Porto de Santos em 18 de Junho de 1908. Vieram 165 famílias (781 pessoas) que foram trabalhar nos cafezais do oeste paulista.
O contrato previa que a estada dos imigrantes nas fazendas deveria ser de cinco anos, porém as más condições fizeram com que a maioria saísse das fazendas no mesmo ano.
Somente em 28 de junho de 1910, chegou a Santos outro navio, o Ryojun Maru, trazendo mais 906 imigrantes japoneses. Apesar de tudo, a imigração de japoneses continuou em ascensão. Em 1914, quando o governo de São Paulo interrompeu a contratação de imigrantes, a população japonesa no Brasil era estimada em apenas 10 mil pessoas.

Imigração japonesa no Brasil

A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, através de um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. Atualmente, o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão com cerca de 1,5 milhão de nikkeis (日系, nikkeis - termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes).
O Japão estava superpovoado no século XIX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Xogunato Tokugawa), sem guerras, epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia apenas o alimento que consumia, sem praticamente formação de estoques para períodos difíceis. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.
O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poder pagar os altos impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (parte da produção agrícola).
Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.
A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.
A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coréia e Taiwan. Somente no Brasil e Estados Unidos se formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Praticamente todos os imigrantes que formaram grandes colônias na Coréia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Apesar de receber japoneses durante o final do século XIX e nos anos iniciais do século XX, na condição de visitantes, somente em 1906 chegou ao Brasil um grupo significativo disposto a estabelecer uma colônia. Liderados por Saburo Kumabe, o grupo situou-se em 1907 na fazenda Santo Antônio, no atual município de Conceição de Macabu (então distrito de Macaé), no estado do Rio de Janeiro. A colônia durou cinco anos, fracassando por razões diversas. Além da falta de investimentos, epidemias e saúvas, o principal problema foi que se tratava de um grupo heterogêneo de pessoas - advogado, professores, funcionários públicos - sem agricultores com experiência em cultivar a terra.