Incerteza sobre as negociações comerciais com os EUA ofusca as perspectivas
A produção industrial do Japão aumentou em agosto pela primeira vez em quatro meses, com algumas fábricas retomando a atividade após fortes chuvas e enchentes, mas a incerteza sobre o provável resultado das negociações comerciais entre Japão e Estados Unidos ofusca as perspectivas.
Os dados do Ministério do Comércio divulgados nesta sexta-feira mostraram que a produção industrial subiu 0,7% em agosto em relação ao mês anterior, menos do que a estimativa média dos economistas de 1,5% e após queda de 0,2% em julho.
Fabricantes entrevistados pelo Ministério do Comércio esperam que a produção suba 2,7% em setembro e 1,7% em outubro.
A produção industrial deve continuar a crescer, mas há preocupações de que os altos estoques de peças eletrônicas pesem sobre o setor.
A chance de o Japão transferir mais produção de automóveis para os Estados Unidos é outro risco para a produção.
"A produção neste trimestre não será tão forte quanto no trimestre anterior devido à queda na demanda por peças eletrônicas", disse Kentaro Arita, economista sênior do Mizuho Research Institute.
"Há também uma chance de o Japão ficar sob pressão para transferir mais produção para os Estados Unidos se as exportações dos EUA aumentarem."
O índice subiu em agosto devido a um aumento de 5,2% na produção de automóveis e a um crescimento de 5,6% na produção de equipamentos usados para fabricar semicondutores e telas planas, mostraram os dados.
No entanto, a produção de peças e aparelhos eletrônicos recuou 8,8% em agosto, a maior queda em dois anos e meio. Alguns economistas temem que os fabricantes desses produtos reduzam ainda mais a atividade devido ao aumento dos estoques.
Desemprego
A taxa de desemprego caiu para 2,4 por cento em agosto, ante 2,5 por cento no mês anterior, enquanto o índice empregos-candidatos se manteve estável em 1,63, o nível mais alto desde janeiro de 1974, segundo dados separados.
Apesar da economia sólida e do mercado de trabalho favorável, a inflação está lutando para acelerar.
O principal índice de preços ao consumidor (IPC) de Tóquio, que inclui produtos de petróleo, mas exclui os preços de alimentos frescos, subiu 1,0 por cento no ano até setembro, contra um aumento de 0,9 por cento esperado pelos economistas e menos da metade da meta de 2 por cento do banco central.
O índice de Tóquio está disponível um mês antes do núcleo do IPC e serve como um indicador principal da inflação ao consumidor.
As vendas no varejo do Japão subiram 2,7% em agosto ante o ano anterior, em comparação com uma previsão de mercado de 2,1%, mostraram dados separados nesta sexta-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordaram nesta semana em iniciar negociações comerciais em um acordo que, por enquanto, protege as montadoras japonesas de novas tarifas, vistas como uma grande ameaça à economia que depende das exportações.
Ainda assim, há preocupações persistentes de que o Japão terá que reduzir drasticamente as exportações de automóveis para o mercado americano e aumentar consideravelmente o número de carros produzidos nos Estados Unidos para atender à meta da Trump de criar mais empregos e reduzir o déficit comercial dos EUA.
Fonte: Alternativa com Reuters